DAOs

DAOs: Absorvendo a Internet

danielmiorim

O que vem depois do surgimento da empresa? As DAOs são um veículo alternativo para a formação de talentos com vantagens revolucionárias e trade-offs claros.

Publicado Originalmente em Read The Generalist.
Traduzido por Alex Pereira de Souza e Revisado por Daniel Miorim de Morais.

Insights úteis

  • DAOs são uma nova maneira de organizar as pessoas. Tradicionalmente, uma estrutura de empresa tem sido a abordagem de livre mercado mais eficaz em atrair talentos em busca de um objetivo. Esse trabalho é geralmente persuadido e controlado por meio de salários. As DAOs buscam fins semelhantes – a criação de valor – mas contam com uma estrutura descentralizada na qual trabalhadores, usuários e outras partes interessadas têm a verdadeira propriedade da entidade.
  • Vários tipos de DAOs surgiram para atender a diferentes casos de uso. À medida que o interesse no espaço aumentou, as DAOs começaram a diversificar e experimentar os limites do que é possível. Existem DAOs para investir, DAOs para criar novos produtos, DAOs para socializar e muitas iterações entre e além.
  • Ativos significativos estão sendo gerenciados por essas entidades. Aqueles céticos em relação ao espaço criptográfico em geral e às DAOs em particular podem querer reconsiderar sua posição. Estas são organizações com influência real e capital real. Dezenas de bilhões estão sendo gerenciados nos principais DAOs, com alguns, como a Compound, ostentando um tesouro de quase $1 bilhão.
  • Ainda estamos adiantados quando se trata de infraestrutura DAO. As DAOs têm muitas das mesmas necessidades que as corporações, mas geralmente precisam lidar com maiores complexidades devido à sua escala, fluidez e pilha técnica. Isso exigiu o surgimento de ferramentas para formação, comunicação, colaboração, pagamentos e muito mais. As DAOs têm um punhado de provedores para selecionar essas categorias, mas, em geral, a escolha é limitada. Devemos esperar muitos novos participantes no espaço nos próximos anos.
  • As DAOs têm vulnerabilidades claras que ainda precisam ser totalmente resolvidas. A primeira DAO foi notoriamente hackeada, com um mau agente tentando desviar milhões em Ethereum. Embora as DAOs sejam mais seguras hoje, elas carregam riscos. Os contribuintes geralmente se juntam sob pseudônimo, o que significa que o capital de reputação não está totalmente em jogo. Além disso, sem proteções suficientes, algumas DAOs ainda são vulneráveis ​​à exploração.

Time

Aaron Wright, fundador da Tribute Labs

Alex Zhang, Mayor of FWB

Chase Chapman, Cofundador da Decentology

Cooper Turley, ∞ DAOs

Derek Taylor, Fundador da DDDVVV

Jarrod Dicker, Parceiro na TCG Crypto

Jess Sloss, Fundador da Seed Club

Jihad Esmail, Comunhão na Syndicate

Jose Macedo, Cofundador da Delphi Digital

Jorge Izquierdo, Cofundador da Aragon

Kevin Kelly, Cofundador da Delphi Digital

Nadia Alvarez, Chefe de Crescimento na MakerDAO

Patrick Rivera, Mirror

Pri Desai, Operações na Tribute Labs

Raihan Anwar, Comunhão na FWB

Tina He, Cofundador da STATION

Will Papper, Cofundador da Syndicate

Mario Gabriele, Fundador da The Generalist

→ Você pode seguir todos através desta Twitter List

***

Nem sempre trabalhamos para empresas.

Ainda em 1820, apenas 20% da população americana trabalhava para uma organização que pagava salários. O restante cultivava, pescava, administrava seus próprios negócios ou dividia seu tempo entre essas atividades.

Nos 130 anos seguintes, isso mudou rapidamente. A industrialização oferecia a chance de maior riqueza enquanto exigia mais trabalho. Isso impulsionou a consolidação de trabalhadores sob grandes organizações com sistemas de comando centralizados. Essas mudanças significaram que, em 1950, até 90% da população dependia de empresas para obter salários.

A empresa, então, é um fenômeno moderno, pelo menos na forma como costumamos concebê-la. O que parece tão incorporado e intratável hoje – o padrão para a maioria dos novos empreendimentos – é de fato apenas a mais recente tentativa da humanidade de resolver o problema de coordenação.

Uma alternativa melhor pode ter surgido. Embora longe de serem perfeitas, as organizações autônomas descentralizadas (DAOs) procuram remediar algumas das falhas da empresa, permitindo a colaboração humana em escala. Essa estrutura nativa da internet e das cryptos procura descentralizar a governança e a propriedade, dando aos colaboradores a chance de determinar a direção de um projeto e lucrar com seu sucesso.

Embora ainda em seus estágios iniciais, a explosão de interesse nessa estrutura organizacional indica que as DAOs são uma ideia a ser levada a sério. Nos últimos meses, em particular, novas DAOs ganharam destaque, atraindo capital significativo e talentos dedicados de alto calibre. Historicamente, aqueles que prestaram atenção a tais deslocamentos no reino das criptomoedas pareciam prescientes anos depois – mesmo quando o hype parecia exagerado. Tanto os construtores quanto os investidores seriam sábios em dar a devida consideração a esse espaço.

Além do potencial de ganhos financeiros, as DAOs podem anunciar uma mudança social com implicações duradouras. Afinal, somos influenciados pelas organizações em que atuamos. Em seu trabalho, “A Society of Organizations”, o sociólogo Charles Perrow argumentou que as organizações explicam muito da maneira como nosso mundo funciona. Ele introduziu essa teoria da seguinte forma:

[A] menos que você seja um teórico organizacional… sua especialidade será tratada como uma variável dependente; as organizações serão a variável independente que molda o comportamento político e econômico, o sistema de estratificação, a religião, os processos psicológicos sociais e a história em geral.

Como as DAOs, como uma nova variável independente, influenciarão cada uma dessas dependências? O que essa estrutura fará com a religião, a história e a política?

Em uma linha reveladora, Perrow diz: “Minha proposta é que as organizações são a chave para entender nossa sociedade porque as organizações absorveram grande parte da sociedade”.

Se essa máxima for verdadeira, que partes da vida as DAOs absorverão? Se as empresas invadiram os relacionamentos e conexões feitas no âmbito físico, as DAOs podem, com o tempo, assimilar nossos seres digitais. Elas podem, em suma, absorver a internet, tornando-se as peças constituintes da nossa nova sociedade WEB3.

Exploraremos essa ideia no artigo de hoje, enquanto descompactamos o estado atual das DAOs. Em particular, procuramos responder às seguintes perguntas (e dizer a palavra “DAO” muito, MUITO):

  • Definições. Explicando o que é uma DAO e como podemos pensar nelas.
  • História. As origens de uma nova estrutura organizacional.
  • Categorias. Os diversos tipos de DAOs que existem.
  • Cultura. Os valores e filosofias que sustentam esse espaço.
  • Paisagem. Principais players e as ferramentas que eles usam.
  • Iniciando uma DAO. Explorando os benefícios da descentralização e as táticas necessárias. 
  • Questões legais. Desenvolvimentos promissores em Wyoming e questões em aberto.
  • Contra DAOs. As vulnerabilidades da estrutura e seu potencial não comprovado.
  • Fronteira. Explorando o que o futuro pode reservar.

Ao final deste artigo, esperamos que você tenha uma forte compreensão do que está acontecendo e por que isso é importante. Embora possa parecer improvável hoje, em algumas décadas não será impossível que uma grande porcentagem da população não trabalhe para uma entidade centralizada, mas para uma entidade descentralizada, possibilitada por meio das cryptos.

História e Tradição

Quer inventar seu próprio derivativo financeiro? Com o Ethereum, você pode. Quer fazer sua própria moeda? Configure-o como um contrato Ethereum. Quer configurar um Daemon ou Skynet em escala real? Você pode precisar ter alguns milhares de contratos interligados, e certifique-se de alimentá-los generosamente, para fazer isso, mas nada o impede.

Essas palavras apareceram no Ethereum Whitepaper de 2013 de Vitalik Buterin – a fonte de uma das primeiras descrições de uma DAO. A explicação de Buterin acima não apenas ilustra a modularidade e o poder de sua blockchain, mas também sugere suas influências intelectuais.

De fato, anos antes de haver Ethereum, muito menos DAOs, havia o “Daemon”. Em 2006, o escritor de ficção científica Daniel Suarez publicou um livro com esse nome que pode ser visto como uma espécie de ur-text para DAOs.

Em Daemon, Suarez pinta um quadro de um programa de computador em grande escala que orquestra uma sociedade cooperativa clandestina. Embora o Daemon esteja envolvido com uma série de atos insalubres (pense em assassinos de motocicletas autônomas!) nos quais não gostaríamos que nenhuma organização da WEB3 se inspirasse, suas operações fundamentais são muito semelhantes às que um DAO realiza hoje: pagar recompensas, compartilhar informações em uma comunidade e administrar uma moeda de narrativa.

Apesar de sua analogia funcional, Daemon não cunhou o nome “DAO”. Buterin havia escrito sobre “organizações autônomas descentralizadas” antes da publicação do whitepaper do Ethereum, mas incluiu uma definição arrumada no seu trabalho seminal:

[DAOs são] uma entidade virtual que tem um determinado conjunto de membros ou acionistas que, talvez com uma maioria de 67%, têm o direito de gastar os fundos da entidade e modificar seu código.

Assim como o Daemon, as DAOs Ethereum contam com código auto modificável. Ao contrário da criação de Suárez, no entanto, Buterin imaginou as DAOs como fundamentalmente transparentes, com processos de governança claros e caminhos para estabelecer consenso.

Essa noção é ilustrada ainda mais pelo delineamento do whitepaper entre dois tipos de DAOs: “Corporações Autônomas Descentralizadas” (DAC1) e “Comunidades Autônomas Descentralizadas” (DAC2). (Esses acrônimos são nossa tentativa de distinguir facilmente entre eles e não são cânones.)

Buterin vê as primeiras como entidades com fins lucrativos com ações negociáveis ​​e uma oferta de dividendos, enquanto o segundo serve mais como uma entidade democrática na qual os membros da comunidade votam em certas questões, como adicionar ou remover membros. Efetivamente, as DAC1s operam com um modelo em que “1 ação = 1 voto”, enquanto as DAC2s governam de forma que “1 membro = 1 voto”. Escusado será dizer que os leitores de Daemon lembrarão que o programa quase onisciente do livro não tinha uma estrutura tão clara.

Agora, embora a citação de Buterin no início desta seção possa ser vista como um convite, também foi – pelo menos em parte – uma provocação.

Quer configurar um Daemon ou Skynet em escala real? … Nada o impede…

Levou quase três anos para alguém aceitar esse desafio. Em abril de 2016, nasceu a DAO.

O projeto começou com a melhor das intenções, na esperança de se tornar o fundo de risco de fato para a comunidade Ethereum, gerenciado de forma descentralizada. Os membros da comunidade investiram colaborativamente n’A DAO e votaram em investimentos potenciais.

Isso provou ser uma proposta atraente para muitos. A DAO rapidamente acumulou 12,7 milhões de ETH, o equivalente a $150 milhões na época, de mais de 11.000 LPs. Um warchest desse tamanho teria sido significativo, mesmo entre as empresas tradicionais de risco. Para contextualizar, no mesmo ano em que A DAO foi fundada, o famoso fundo Union Square Ventures anunciou o fechamento de um novo fundo de $166 milhões, não muito além do veículo nativo da Ethereum.

Para aqueles que sabem o que veio a seguir, é difícil não passar um momento imaginando o quão milagrosamente bem-sucedida essa entidade poderia ter sido. Se a DAO não tivesse feito nada além de manter seu ETH, entregando zero alpha, teria ativos sob gestão equivalentes a $52 bilhões hoje. Se a DAO tivesse escolhido alguns vencedores – e certamente teria a estrutura de sourcing mais ampla do mundo – as somas poderiam ser significativamente maiores. O resultado seria um player tigre de escala global no mundo das finanças descentralizadas.

Claro que não foi assim.

Em junho daquele mesmo ano, a DAO foi hackeada. Totalmente 3,6 milhões de ETH foram extraídos da entidade e movidos para uma conta de depósito. Para dar aos proprietários desse ETH a chance de recuperar seus fundos, o Ethereum passou por um hard fork. Nenhum dinheiro foi perdido, mas o hack levou a um cisma dentro da comunidade Ethereum e ilustrou os perigos de uma estrutura DAO que ainda não havia sido totalmente preparada.

O que se seguiu foi um inverno DAO que precedeu e durou até o resfriamento mais amplo das criptos. Ainda assim, mesmo durante esse período mais lento, construtores dedicados estavam construindo no espaço. A Aragon, co-fundada pelo colaborador Jorge Izquierdo, começou a trabalhar em ferramentas para DAOs em 2016. A MakerDAO, que fora fundada em 2015, continuou a crescer em destaque, atraindo novos talentos para trabalhar no espaço.

Esses pioneiros provaram ser vitais nos últimos 12 meses. Parte do motivo pelo qual o entusiasmo renovado sobre as DAOs se traduziu em um renascimento tangível é porque os recém-chegados podem contar com a infraestrutura e a arquitetura criadas por organizações como Aragon e Maker.

Antes de falarmos sobre o estado do jogo, vamos pensar um pouco mais sobre a definição de uma “DAO”.

O que é uma DAO?

Esperançosamente a seção acima pode ter nos dado uma noção do assunto em questão. Mas, ainda assim, vale a pena gastar um momento pensando nesta pergunta mais direta: o que é uma DAO?

Mesmo depois de aprender sobre a tradição da DAO, é uma pergunta enganosamente difícil de responder. Ou, pelo menos, de responder bem.

Para começar, podemos voltar às palavras das quais deriva a sigla: uma “organização autônoma descentralizada”.

O que isso significa?

Bem, se fiel ao seu nome, as DAOs devem estar livres de uma autoridade centralizada (descentralizada), operar independentemente de governos ou agentes do setor privado (autônoma) e serem, bem, organizações.

Bastante simples, certo?

Não exatamente. A questão torna-se bastante nebulosa quando você percebe que muito poucas entidades que chamamos de “DAOs” hoje realmente se encaixam nessa definição. A verdadeira descentralização é rara, especialmente para começar, pois a maioria dos projetos precisa de um grau de centralização para começar a funcionar. O mesmo pode ser dito da autonomia.

Criticamente, esses traços não devem ser vistos como binários. Responder se uma DAO é descentralizada ou não, não é uma questão de “sim” ou “não”, mas uma questão de grau. Descentralização e autonomia são escalas móveis, e as “DAOs” se posicionam de forma diferente nesse espectro.

Como uma leitura literal não nos leva muito longe, precisamos de outras maneiras de pensar sobre DAOs. A parte escorregadia aqui é que o ato de elaboração levanta suas próprias questões. De fato, cada pessoa que define uma DAO provavelmente lhe dará uma resposta sutil ou significativamente diferente. Por exemplo, um interlocutor brincalhão pode razoavelmente classificar uma DAO como um bate-papo em grupo com uma conta bancária compartilhada, um segundo pode categorizá-lo como uma comunidade com propriedade distribuída e um terceiro (sonhador) pode simplesmente chamá-la de “vibe”.

Tudo estaria certo, à sua maneira. DAOs são chats em grupo e comunidades, e muitos deles se separam por meio de sua cultura ou vibe. Mas, embora amplo, algo sobre essas representações vende a parte curta da ideia.

DAOs são – ou podem ser – muito mais do que apenas um canal Discord com um token nativo. Pelo contrário, são entidades voltadas para um propósito compartilhado: a criação de valor. Esse é o denominador comum em nossas articulações declaradas.

Claro, a forma como a criação de valor é definida varia. Alguns se concentram na construção de produtos digitais tangíveis, enquanto outros procuram acumular e compor capital social. Ainda assim, este propósito fundamental permanece.

Esta é a descrição mais básica de uma DAO e é insatisfatória. Não poderíamos dizer que quase todas as organizações estão voltadas para a criação de valor? As empresas não buscam o mesmo fim? E as nações e religiões?

“Valor” é muito subjetivo para nos dar clareza suficiente. Para obter uma compreensão mais fiel das DAOs, precisamos ir além da nomenclatura e observar as características que distinguem essa forma de entidade de outras.

Características

Para entender como as DAOs diferem de outras organizações, precisamos apenas analisar como elas lidam com propriedade e organização.

Propriedade

Em vez de concentrar a propriedade nas mãos de fundadores e investidores, as DAOs distribuem a propriedade para uma variedade de stakeholders em um ecossistema, incluindo contribuidores, usuários, parceiros estratégicos, fornecedores e assim por diante.

Essencialmente, as DAOs são de propriedade das pessoas que criam valor nelas.  Esta é uma noção radical e com consequências reais;  expandindo além da noção tradicional de quem deve “possuir” uma organização, as DAOs capacitam um amplo ecossistema para agir e criar valor em seu nome.

Organização

Conforme mencionado anteriormente, as DAOs procuram ser “autônomas”.  Inicialmente, esse termo referia-se ao desejo das DAOs de agir de forma independente no nível organizacional – livre de interferência de agentes do setor público ou privado.

Embora isso seja verdade para algumas DAOs, sem dúvida a forma mais consequente de autonomia ocorre no nível individual.  Os constituintes podem participar de uma DAO e optar por contribuir da maneira que acharem mais atraente.  Pode haver diretrizes, mas, em geral, os stakeholders escolhem seu próprio trabalho e se auto-organizam.

Novamente, isso é significativo.  Tradicionalmente, a relação entre contribuinte individual e entidade fiscalizadora é subserviente – o trabalhador atua de acordo com as demandas da empresa.  Não é o caso aqui.  Os “trabalhadores” da DAO juntam-se onde e quando acreditam que podem agregar valor e desejam fazê-lo.

Ao adotar essa abordagem, as DAOs criam as condições para o comportamento emergente.  Sistemas complexos são capazes de se formar de uma maneira que nenhum indivíduo ou grupo poderia ter coordenado de cima para baixo.

Estruturas

Aprimorar características como propriedade e organização nos dá uma visão mais clara das DAOs, mas ainda é difícil contextualizá-las totalmente.

Para entender melhor como as DAOs operam taticamente, podemos compará-las a estruturas organizacionais pré-existentes.  Embora fundamentalmente distintas, há muito que podemos aprender ao tentar pensar em DAOs como empresas, cooperativas e redes.

DAOs como empresas

Apesar de suas diferenças em propriedade e organização, as empresas são, no entanto, uma estrutura útil para entender as DAOs.

De fato, DAOs maiores geralmente operam de maneira semelhante às corporações, com “departamentos” explícitos para coisas como produto, marketing, engenharia e comunidade.  Essas divisões geralmente têm um líder de equipe que orienta e apoia outros membros, não muito diferente de um gerente.

Em geral, a liderança dentro dos DAOs tende a ser fluida e não hierárquica, semelhante a uma “organização Teal”.  Conforme definido pelo teórico da administração Frederic Laloux, as organizações Teal são autogovernadas e evoluem naturalmente.  Elas também incentivam os funcionários a se entregarem totalmente à organização.

DAOs como cooperativas

Obviamente, o enquadramento acima só vai até certo ponto, uma vez que as DAOs diferem das empresas em aspectos significativos, principalmente no que diz respeito à propriedade.

Por esta razão, as cooperativas podem ser uma comparação mais adequada.  As cooperativas são de propriedade e controladas pelos trabalhadores que contribuem para ela. Isso é semelhante às DAOs em que as partes interessadas recebem tokens que concedem poder de governança e atribuem propriedade. Não está a um milhão de quilômetros de distância da cooperativa de supermercado do seu bairro trazida para o reino digital.

DAOs como redes

Embora a estrutura cooperativa ajude a modelar a propriedade, as DAOs não apenas distribuem a propriedade aos contribuidores – razoavelmente equivalentes aos empregados.  Em vez disso, elas distribuem a propriedade para uma série de diferentes stakeholders. Isso pode incluir usuários (se a DAO estiver desenvolvendo um produto), parceiros estratégicos, fornecedores, membros da comunidade alinhados à missão e assim por diante.

O resultado é algo bem diferente de uma cooperativa pura: uma rede. Os membros interagem uns com os outros de forma livre e os papéis mudam com frequência e fluidez.

Em muitos aspectos, essa é a estrutura mais útil para pensar em DAOs. Embora as redes não sejam novas, é claro – organizações nos setores público e privado dependem delas quando a complexidade da coordenação é grande – ela é particularmente adequada para a era da WEB3. À medida que as DAOs crescem em tamanho e complexidade, um modelo em rede permite coordenação e alinhamento de forma escalável.

Essas estruturas farão sentido em dois anos? Que tal cinco?

Ainda hoje, há provavelmente uma dúzia ou mais de maneiras de conceber esse conceito.

Acreditamos que o objetivo fundamental da criação de valor compartilhada provavelmente permanecerá constante, mas, dado o ritmo da inovação no espaço, podemos conceber as DAOs de maneira muito diferente nos próximos anos. Com isso em mente, é hora de explorar as diferentes categorias de DAOs.

Tipos de DAOs

Em breve, pode haver DAOs demais para que uma classificação faça muito sentido. Afinal, se você perguntasse a alguém “que tipos de LLCs existem?” eles provavelmente achariam complicado responder à pergunta. Podemos chegar a um ponto em um futuro não muito distante em que as DAOs tenham variedade equivalente.

Por enquanto, porém, ainda podemos delinear entre os tipos de DAOs. Em um alto nível, a maioria dos DAOs são ou orientadas tecnicamente ou orientadas socialmente.

DAOs orientadas tecnicamente tendem a se concentrar no desenvolvimento no espaço cripto. Elas também tendem a realizar mais de suas ações on-chain.

As DAOs orientadas socialmente existem principalmente para reunir grupos de pessoas e encontrar novas maneiras de interagir e se reunir. É mais provável que a governança seja off-chain ou inexistente.

Agora, não há uma linha espessa entre esses segmentos. Assim como as DAOs existem em um espectro de descentralização e autonomia, elas normalmente também o fazem aqui.

Por exemplo, a MakerDAO é fundamentalmente orientada tecnicamente . Mas tem um componente social extremamente forte com alto envolvimento e interação da comunidade.

Friends with Benefits, por sua vez, é social por natureza. Atua como uma “associação cultural” e ponto de encontro digital para artistas, fundadores e pensadores. No entanto, ela se beneficia de uma equipe de produto robusta que cria ferramentas significativas como token-gating de evento (“Gatekeeper”), painéis (“Pulse”) e um site editorial (“WIP”).

Nesse espectro, há várias subcategorias que valem a pena descompactar. Em particular, vamos nos concentrar em: DAOs de Protocolo, DAOs Sociais, DAOs de Investimento, DAOs de Subvenção, DAOs de Serviço, DAOs de Mídia, DAOs de Criadores e DAOs de Colecionadores. (Nós dissemos que teríamos que dizer muito a palavra DAOs neste artigo.)

Como nota, Cooper Turley, um colaborador deste artigo, tem uma excelente verificação abrangente nesses gêneros, se você quiser aprender mais.

DAOs de Protocolo 

Como o nome sugere, as DAOs de Protocolo são entidades colaborativas que existem para ajudar a construir um protocolo. Um exemplo é algo como a MakerDAO, discutida acima. Em vez de ser construída e governada inteiramente por uma equipe centralizada, o protocolo Maker é orquestrado pela DAO relevante.

De fato, ao longo de seus anos de operações, a Maker construiu uma estrutura sofisticada de quinze unidades principais. Cada unidade tem um mandato e um orçamento, administrado por um ou mais Facilitadores, que coordenam e pagam os contribuintes que trabalham para atingir uma meta de longo prazo dentro da MakerDAO. Além disso, cada divisão é uma estrutura independente regida por seus próprios termos, mas que ainda responde aos holders da Maker.

Sushi, Uniswap e Compound também podem ser consideradas DAOs de Protocolo, embora cada um opere de acordo com sua própria estrutura.

DAOs Sociais

Friends with Benefits (FWB) é uma DAO Social clássica, embora com as técnicas de engenharia que mencionamos. O objetivo aqui é criar uma comunidade poderosa. A esse respeito, o resultado final não é diferente de outros hangouts online, principalmente aqueles com jardins fechados. (Algumas DAOs também se concentram em fazer a ponte entre o online e o offline, hospedando encontros IRL.) A diferença, como discutimos, é a concepção de autogovernança e propriedade.

O Seed Club, fundado pelo contribuidor Jess Sloss, é outro player neste espaço – embora com uma ampla jurisdição. CabinDAO e Bright Moments são outros dois exemplos.

DAOs de Investimento 

Se as DAOs Sociais são principalmente sobre a comunidade, as DAOs de Investimento são principalmente sobre os retornos. Semelhante a The DAO – aquela primeira entidade de investimento malfadada – o objetivo desses projetos é agregar capital e investidores para implantação. Ao contrário das empresas de risco tradicionais, a tomada de decisões é efetivamente democrática, com os LPs votando em oportunidades relevantes.

Muitas vezes, diferentes DAOs de investimento terão focos diferentes. Por exemplo, uma pode se especializar na compra de nomes ENS, outra pode aprimorar os jogos de blockchain, enquanto um terceiro pode financiar startups de cryptos.

The LAO, fundada pelo colaborador Aaron Wright, é líder neste espaço. Essa entidade matriz desmembrou vários veículos adicionais, incluindo Flamingo e Neptune. MetaCartel é outra notável DAO de Investimento.

DAOs de Subvenção

No artigo mencionado acima, Turley observa que muitas das primeiras DAOs foram voltadas para o patrocínio, operando como DAOs de Subvenção. Muitas vezes, elas existem como auxiliares de projetos pré-existentes, atuando como uma forma de galvanização da comunidade. Por meio de doações, essas DAOs buscam promover o ecossistema mais amplo, apoiar projetos promissores e abrir caminhos para novos contribuidores da WEB3.

Por exemplo, a Uniswap opera o Uniswap Grants, com a Compound e a Audius fazendo o mesmo. Embora funcionalmente distintas da entidade matriz, elas estão ligadas por um senso de propósito e, muitas vezes, por uma comunidade comum.

DAOs de Serviço

As DAOs de Serviço ocupam uma posição única no espaço. Especificamente, essas entidades atuam como agregadoras de talentos, agregando capital humano que pode ser direcionado para determinados projetos.

Por exemplo, a RaidGuild se refere a si mesma como “a principal agência de design e dev do ecossistema WEB3”. Ao contrário de uma agência tradicional, no entanto, a Raid não possui funcionários formais ou uma estrutura corporativa: é uma DAO. A DAO de Serviço trabalhou com clientes como 1Up World, Tellor e Stake On Me.

PartyDAO, DAOhaus, Yam DAO e muitos outros se encaixam nessa categoria.

DAOs de Mídia

Forefront, Bankless e DarkStar são DAOs de Mídia. Essas entidades produzem conteúdo público, muitas vezes de forma colaborativa. As recompensas desse conteúdo são compartilhadas por todo o grupo, enquanto a governança também é um assunto comunal. Os stakeholders podem ajudar a decidir sobre os tópicos a serem abordados, bem como o gerenciamento de recursos.

DAOs de Criadores

Se as DAOs de Mídia geralmente se concentram em publicação, as DAOs de criadores se concentram em um indivíduo. Assim como alguns fã-clubes oferecem oportunidades de consumo e interação aos apoiadores mais apaixonados de um influenciador, as DAOs têm a capacidade de fazer o mesmo. Além do fandom puro, os stakeholders também podem contribuir ativamente ou trabalhar para uma organização que apóia os criadores pelos quais eles são mais entusiasmados.

Esta é uma construção menos comum no momento, mas pode se tornar mais popular. Vimos vários criadores adotarem “tokens sociais” por meio de produtos como a Roll, que estabelecem as bases para as verdadeiras DAOs de Criadores. Os primeiros motores incluem Leaving Records e Personal Corner.

DAOs de Colecionadores

Embora compartilhem alguma motivação de lucro com as DAOs de Investidores, as DAOs de Colecionadores, em última análise, orientam-se de maneira um pouco diferente. Essas entidades unem contribuintes em torno de certos ativos, ou colecionáveis. NFTs são uma escolha comum.

Embora o acúmulo de NFTs também possa gerar retornos financeiros extremamente favoráveis, essas comunidades geralmente não têm intenção de vender seus itens, pelo menos no curto a médio prazo. A aquisição de NFTs e outros colecionáveis ​​também tem um teor fundamentalmente diferente – o envolvimento é tanto, ou mais, sobre fandom e afinidade quanto sobre alpha.

Esses grupos muitas vezes também assumem o papel de curadores de determinados projetos, agregando uma espécie de longevidade e apoio institucional.

A SquiggleDAO, por exemplo, existe para apoiar e colecionar arte generativa, enquanto a MeebitsDAO coleta Meebits NFTs. A PleasrDAO atua como um “império de coleção de arte” em todos os projetos. NounsDAO é o ponto de encontro para os detentores de Noun NFTs, que recebem uma participação nas vendas futuras de Nouns.

Claro, DAOs podem existir além e entre essas categorias. Por exemplo, a Krause House é uma DAO que é um veículo de investimento e uma iniciativa social: foi montada com o objetivo de comprar um time da NBA, coletivamente.

Ao olharmos para o futuro, vale reiterar que, embora as categorias acima sejam instrutivas, estamos apenas no começo aqui. Muitas das grandes DAOs que virão pintarão fora dessas linhas.

Filosofia e cultura

As DAOs representam uma nova estrutura para a coordenação humana em larga escala e no centro da coordenação humana – descentralizada ou não – está a cultura organizacional.

Não diferente da cultura da empresa em uma startup em estágio inicial ou da cultura da comunidade em uma cena musical desconhecida, a cultura pode ser definida como os comportamentos, padrões e valores que surgem entre grupos de indivíduos. Em seu ensaio seminal, “Squad Wealth”, a organização de pesquisa Other Internet observa que a cultura pode ser composta de qualquer coisa, desde “memes, hot takes, linguagem interna, 𝓪𝓮𝓼𝓽𝓱𝓮𝓽𝓲𝓬𝓼, até artefatos que só podem ser formulados por um grupo”.

Embora cada DAO encontre suas próprias maneiras de gerar cultura com normas visuais, linguísticas e comportamentais, duas características parecem ser particularmente comuns em todo o cenário DAO: a tendência dos constituintes agirem como proprietários e a expectativa de transparência radical.

Agindo como donos

A propriedade é extremamente influente quando se trata da cultura de DAOs.

Não apenas incentiva os indivíduos a participarem, mas também muda fundamentalmente a forma como os colaboradores pensam sobre seu esforço e trabalho. Todo o trabalho está alicerçado na busca de um propósito maior, do qual o lado positivo é compartilhado. A propriedade impregna sentimentos de criação, sucesso e ~vibes~. É natural que um proprietário se sinta mais incentivado financeira e psicologicamente a apoiar os colegas, elevar o trabalho dos outros, deixar o ego na porta e fazer o melhor trabalho do que um trabalhador tradicional.

Jesse Walden, o cofundador da empresa de investimentos Variant, foi particularmente presciente nesse assunto. Neste ensaio, “The Ownership Economy”, Walden observou:

À medida que o papel do indivíduo na criação de valor se torna mais comum, o próximo passo evolutivo é em direção ao software que não é apenas construído, operado e financiado por usuários individuais – mas também de propriedade dos usuários.

As DAOs são, em certo sentido, precisamente esse tipo de “software”. Elas elevam o indivíduo e dão aos usuários a chance de contribuir e possuir. Isso é poderoso.

Transparência radical

A transparência desempenha um papel crucial em qualquer cultura organizacional, pois estabelece a confiança entre todos os players. As DAOs permitem isso em um nível sem precedentes devido à atividade pública e imutável de qualquer endereço ETH de DAO na blockchain. Isso cria um mecanismo de verificação e equilíbrio implícito e explícito que permite que uma comunidade de stakeholders se mantenha informada sobre como uma DAO está exercendo seu capital, garantindo que uma equipe de liderança esteja tomando decisões alinhadas com a comunidade.

A transparência radical desse tipo incentiva a colaboração em detrimento da competição e capacita os indivíduos a se apropriarem de seu trabalho devido à sua profunda compreensão do contexto organizacional.

Em última análise, a cultura de uma DAO é definida pelos relacionamentos individuais formados entre grupos de indivíduos que podem ser destilados em um conjunto repetível de comportamentos e padrões.

Por meio de novas formas de propriedade fracionada e transparência, as DAOs têm o potencial de criar novas estruturas organizacionais onde os usuários não são mais participantes passivos em uma plataforma, mas são proprietários ativos e devidamente incentivados de uma rede – com confiança e coordenação no centro. Essa distribuição de poder e cultura leva a mais agilidade, resiliência e antifragilidade que podem ajudar a criar um mundo no qual grandes grupos de pessoas na internet possam enfrentar até mesmo as mais poderosas corporações centralizadas.

Panorama

As DAOs tornaram-se um primitivo organizacional central em todo o mundo da WEB3. Em paralelo, surgiu um ecossistema florescente para apoiar as funções centrais dessas organizações.

Abaixo, destacamos as partes interessadas influentes no panorama DAO. Devemos notar que esta não é uma lista exaustiva – o mapa não é o território. A WEB3 está crescendo rapidamente e mudando todos os dias, com novos participantes mudando constantemente a aparência do espaço.

No entanto, descreveremos players nas seguintes áreas funcionais:

  • Formação
  • Comunicação
  • Comunidade
  • Governança
  • Compensação
  • Tesouraria

Também mencionaremos outras organizações notáveis ​​e líderes de opinião.

Let’s get DAOwn to business. 

Formação

Para participar de uma DAO, primeiro deve haver uma DAO.

Vários projetos atualmente disputam a supremacia, incluindo Aragon, Syndicate, Orca, Tribute e Colony. Nem sempre são diretamente competitivos, pois cada solução oferece uma proposta de valor e um conjunto de recursos exclusivos.

O que esses projetos fazem? Uma maneira simples de pensar neles é como uma versão nativa de crypto do Stripe Atlas – eles permitem que as DAOs decolem. Isso inclui coisas como gerenciamento de membros, ferramentas de tesouraria e infraestrutura para governança.

Nos próximos anos, devemos esperar vermos mais produtos chegando ao mercado para apoiar a formação de DAOs. Assim como as soluções de White Label são usadas para lidar com tarefas como gerenciamento de conteúdo, em breve chegaremos a um ponto em que existe uma infinidade de opções para novos construtores de DAO.

Aragon

Fundada em 2016, a Aragon oferece um conjunto de aplicativos para criar, gerenciar e governar DAOs em escala. Isso inclui Aragon Court, Aragon Govern, Aragon Voice e Aragon Client. Como uma das primeiras equipes dedicadas à infraestrutura DAO, a Aragon Association tornou-se um importante provedor de serviços para DAOs, reivindicando projetos notáveis ​​como o LidoDAO como usuários.

Syndicate

O colaborador Will Papper é cofundador da Syndicate, um protocolo de investimento descentralizado e rede social focado em DAOs de Investimento. Sua missão é democratizar o mundo dos investimentos, permitindo que indivíduos e comunidades lancem veículos de investimento de forma muito mais rápida e barata do que os fundos tradicionais. A solução da Syndicate inclui suporte jurídico e protocolos de rede social que permitem que as comunidades de investimento convoquem, comuniquem e implantem capital.

Orca

As DAOs geralmente acham difícil manter altas taxas de participação em escala. O Orca Protocol tem uma solução inteligente para isso, além de reduzir gargalos na implantação de fundos e recursos.

Especificamente, o Orca utiliza um “Pod Model” no qual um único tesouro monolítico é substituído por “pods” menores, cada um com sua própria sub-associação e carteira. Em essência, cada pod funciona como uma mini-DAO dentro de um construto DAO maior.

Este é um grande desbloqueio, trazendo capacidade de composição para DAOs, criando a infraestrutura para que os pods sejam anexados e desconectados conforme necessário, meio que como DAO-legos. Também mantém os grupos menores, facilitando a coordenação e o engajamento.

Orca Protocol

Tribute

Parte do ecossistema MolochDAO, a Tribute fornece uma estrutura de soluções de código aberto que as DAOs aproveitam para melhor escalar. Sua pilha de tecnologias inclui soluções para cancelar propostas, criar ações sem direito a voto, expulsar membros, usar NFTs para associação, tokens de whitelist e muito mais. A Tribute é fundamentalmente modular, permitindo que as DAOs escolham as soluções de que precisam.

Colony

Inspirado por colônias de formigas, o Colony oferece uma coleção de contratos inteligentes Ethereum para iniciar uma DAO sem necessidade de código. Colony simplifica a governança, autoridade, compensação e muito mais.

A própria Colony é mantida pela Metacolony — uma DAO ainda a ser revelada. A Metacolony desenvolverá e manterá continuamente ferramentas para serem usadas por aqueles que exploram a infraestrutura da Colony.

Comunicação

Uma vez que uma DAO é formada, ele precisa facilitar a comunicação entre seus membros. A discussão saudável é, obviamente, a chave para o compartilhamento de informações, que desbloqueia boas práticas de votação, gestão de tesouraria e coordenação mais ampla. Nenhuma DAO quer se tornar o Lugar Silencioso.

Várias ferramentas surgiram para facilitar a conversa, com Discord, Telegram e Twitter as principais entre elas.

Discord

Indiscutivelmente, o principal meio de comunicação e coordenação para DAOs é o Discord. Para aqueles que ainda não entraram no mundo rápido e de arregalar os olhos dos servidores WEB3, o Discord é uma plataforma gratuita de bate-papo por voz, vídeo e texto que rapidamente alcançou onipresença no ecossistema.

Suas características o tornam particularmente atraente para DAOs. Por um lado, iniciar um Discord é relativamente trivial e, graças à sua arquitetura de canal e subcanal, a organização da comunicação é direta e flexível. (Mesmo que não acabe com a loucura.)

Criticamente, como o Discord se tornou o padrão na WEB3, vários bots e plugins úteis surgiram para apoiá-lo. O principal deles é a funcionalidade “token-gating”. Conforme mencionado anteriormente, algumas DAOs restringem o acesso àqueles que possuem um certo número de tokens nativos. Por exemplo, se fôssemos iniciar a RandomDAO, poderíamos insistir que qualquer pessoa que quisesse se juntar ao Discord precisava ter 420 tokens $RANDOM.

Ferramentas como Collab.Land facilitam para as DAOs garantirem que o acesso a chats privados seja concedido apenas àqueles que atendem aos requisitos de token. Outros bots amplamente utilizados incluem MEE6 e Statbot.

Além disso, vale a pena notar que o Discord se integra bem com sites existentes; à medida que mais comunidades fazem a transição para DAOs, espere que isso se torne um recurso cada vez mais vital.

Telegram

A alternativa mais comum ao Discord é o Telegram. Embora popular entre a multidão de crypto, o aplicativo de bate-papo não teve a mesma adoção das DAOs que o Discord. Isso ocorre em grande parte porque o Telegram não oferece o mesmo nível de granularidade, especificamente em relação a bots e subcanais.

Talvez por causa de sua simplicidade comparativa, no entanto, o Telegram é frequentemente um terreno fértil para DAOs que estão apenas começando, antes de se formarem no Discord.

Twitter

“Como o Twitter ainda é gratuito?” é uma espécie de piada recorrente entre os usuários mais ávidos da plataforma, por um bom motivo. De muitas maneiras, o Twitter se tornou um bem público, especialmente no mundo das cryptos. A quantidade de informações e insights que fluem por essa plataforma em um determinado dia é notável e sua supremacia como gráfico social de facto do setor cimentou sua importância. (Outros estão vindo para esse trono, é claro.)

Embora o Twitter não atenda à necessidade de bate-papo privado e de alto volume das DAOs, ele continua sendo uma importante ferramenta de comunicação no ecossistema – principalmente para descobrir novos projetos – e seríamos negligentes se pelo menos não o reconhecêssemos.

Coordenação

Um dos maiores desafios para qualquer coletivo, seja uma comunidade local ou uma corporação multinacional, é a coordenação, especialmente em escala. Historicamente, usamos hierarquias para gerenciar esse problema, mas qual é a melhor solução em uma estrutura plana e descentralizada?

As DAOs contam com várias ferramentas diferentes para gerenciar sua comunidade e otimizar a coordenação, incluindo Coordinape, Collab.Land, SourceCred e DAOhaus.

Coordinape

Usado por protocolos bluechip DeFi como Yearn e Sushi, o Coordinape ajuda as DAOs a coordenarem e distribuirem recursos aos contribuidores.

Por exemplo, o produto “Circle” da Coordinape permite que os colaboradores da DAO “presenteiem” um número limitado de tokens GIVE para aqueles que acreditam estar agregando valor à organização. Embora isso tenha o benefício de ser divertido e recompensar a participação, também cria um “mapa de compensação” de facto, ilustrando quem está impulsionando o projeto. Além disso, o processo de compensação é funcionalmente descentralizado, pois qualquer pessoa pode optar por recompensar qualquer pessoa.

Os críticos desse mecanismo argumentam que a compensação ponto-a-ponto pode levar a um concurso de popularidade em que os membros mais barulhentos e extrovertidos recebem alocações exageradas.

Collab.Land

Collab.Land oferece um bot token-gating para Discord e Telegram. Também é útil para atribuir funções aos membros da DAO em ambas as plataformas. Devido à sua relativa facilidade de uso, o Collab.Land tornou-se uma ferramenta muito utilizada na indústria e deve ver seu uso aumentar à medida que o número de DAOs aumenta.

Guild, embora ainda não tenha sido totalmente lançado, é uma alternativa com um conjunto de recursos semelhante.

SourceCred

DAOs usam SourceCred para medir e recompensar as contribuições de indivíduos para um projeto. Aqueles que agregam valor a uma DAO por meio de seus esforços ganham “cred”, com base nos parâmetros definidos pela organização. Cred é uma maneira poderosa de simplesmente quantificar a reputação e o trabalho dos colaboradores.

As DAOs também podem emitir “Grain” com cred, que pode ser usado como equivalente salarial. SourceCred diferencia entre os tokens, observando:

Se cred responde à pergunta “quem forneceu valor?”, Grain responde “como devemos recompensar as pessoas dado o valor que elas forneceram?”

DAOhaus

DAOhaus é uma “plataforma sem código” para lançar e executar DAOs com base em uma estrutura construída por MolochDAO. A plataforma permite que os usuários coordenem por meio de um hub central onde podem verificar atividades, propostas de governança e condição da tesouraria. A associação também pode ser gerenciada a partir daqui.

Como a plataforma foi baseada na estrutura do MolochDAO, os usuários da DAOhaus podem acessar todas as ferramentas fornecidas por essa organização matriz, com os benefícios de um wrapper amigável ao usuário.

Compensação

Vamos mudar de assunto e falar sobre como as DAOs compensam os contribuidores. Como mencionamos, alguns oferecem recursos de pagamento como parte de um pacote DAO maior, mas também existem ofertas especializadas. Superfluid e Sablier são particularmente notáveis.

Uma maneira de pensar nessas ferramentas é como “folha de pagamento para DAOs”. Elas ajudam as DAOs a lidar com pagamentos recorrentes, na blockchain, com taxas mínimas de gas.

Para quem é novo em cryptos, muitas terminologias nessa área podem parecer confusas. O importante a ser observado sobre esses projetos é que eles facilitam para as DAOs pagarem aos contribuidores na blockchain.

Superfluid

Superfluid é um protocolo que permite fluxos de caixa programáveis. Usando seu padrão exclusivo ERC-777, você pode definir “fluxos de valor” para que a compensação flua automaticamente para os colaboradores de uma DAO, constantemente. É como configurar a folha de pagamento da sua empresa para que, em vez de serem pagos duas vezes por mês, seus funcionários sejam remunerados ao vivo, por cada segundo que trabalham. Tudo sem qualquer intervenção adicional de sua parte.

Sablier

Assim como o Superfluid, o Sablier é uma plataforma de streaming financeiro. Criado em 2019, o Sablier suporta qualquer token ERC-20 e não cobra taxa para usar o contrato.

Uma característica notável do Sablier é que ele é verdadeiramente autônomo. A equipe que criou o projeto queimou as chaves administrativas que controlam o contrato da camada 1. O que isso significa é que os criadores de Sablier não têm mais a capacidade de interromper a criação de novos fluxos. É, nas palavras do fundador Paul Razvan Berg “um bem público 100% descentralizado”.

Governança

Resolver a governança e a tomada de decisão coordenada em escala é um dos problemas mais difíceis que as DAOs enfrentam hoje.

Por que é tão difícil?

Um dos grandes desbloqueios da WEB3 é sua resistência à censura e “acessibilidade sem permissão”. Em outras palavras, qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode fazer transações entre si ou se envolver em protocolos e aplicativos descentralizados sem interferência de terceiros. Nenhum governo deve ser capaz de impedi-lo de ingressar em uma DAO, por exemplo. (Pelo menos, em teoria.)

Esse acesso sem permissão pode ser uma faca de dois gumes às vezes, principalmente à medida que as DAOs crescem e são dimensionados. Sem limites rígidos de associação, as DAOs geralmente se tornam maiores e mais diversificados ao longo do tempo. Eventualmente, DAOs populares podem ter dezenas de milhares de membros, com cada indivíduo trazendo diferentes habilidades, experiências, valores, opiniões e origens para a mesa.

Para ser claro, este é um bom problema para se ter. Essa WEB3 permite que os indivíduos façam a transição de trabalhador para proprietário é um de seus atributos mais fundamentais e atraentes. Mas à medida que as comunidades se tornam cada vez mais descentralizadas, a necessidade de uma governança robusta aumenta – caso contrário, você pode acabar com uma organização fragmentada na qual cada participante está apenas gritando contra o vento.

Várias equipes estão trabalhando freneticamente para resolver esse problema, construindo ferramentas que ajudam a organizar e motivar os membros. Snapshot e Discourse são dois produtos enganosamente poderosos que são amplamente utilizados no espaço.

Snaphshot

Snapshot é uma plataforma de votação off-chain, sem gas, usada principalmente por DAOs que emitem tokens de governança ERC-20 e ERC-721. Taxas de gas caras no Ethereum impedem a governança on-chain para todos, exceto os maiores holders de tokens.

O Snapshot explodiu em popularidade ao fornecer um método de participação de governança fácil de usar e barato. Essencialmente, os contribuidores da DAO podem acessar a página Snapshot de sua organização, ver os tópicos para votação e opinar. Por exemplo, aqui estão as propostas que a comunidade da Sushi votou recentemente.

Página do Snapshot da Sushi

Com alguns exemplos notáveis, como a MakerDAO, a maioria das token-DAOs agora integra a votação do Snapshot em seu processo de governança. É importante notar que o “SafeSnap”, um produto produzido pela Gnosis (discutido abaixo), permite a execução on-chain de votação off-chain. Ele faz isso aproveitando o poder combinado do Snapshot e do Gnosis Safe.

O que isto significa?

Basicamente, os participantes da DAO ainda podem votar off-chain — economizando nas taxas de gas — com os resultados subsequentes e promulgados on-chain sem problemas  posteriormente, sem o potencial de interferência.

Discourse

Os fóruns da Discourse são como o “piso do Senado” das DAOs e representam um local para discussão formal e feedback sobre propostas. A discussão e os debates em torno das propostas de governança podem ocorrer em canais secundários como Discord, Telegram ou até mesmo Twitter, mas muitas vezes as submissões acabam em um Discourse para uma discussão mais focada e longa. Como sua função é mais formal, os fóruns do Discourse também funcionam como um arquivo para as discussões e propostas relacionadas à DAO.

Página do Discourse da Aave

Tesouraria

Muitas DAOs de comunidade exigem que os membros comprometam capital inicial para participar. Este capital é então reunido no “tesouro” da DAO. Assim como as empresas tradicionais, as DAOs desejam gerenciar seus ativos de forma eficaz e, esperançosamente, aumentar suas participações. Para esse fim, muitos investem seu tesouro em ativos em todo o ecossistema digital, incluindo NFTs, tokens sociais, projetos de crypto e assim por diante. Com efeito, eles atuam como fundos de investimento descentralizados.

Para que você não pense que tais experimentos são insignificantes em escala, vale a pena notar que as DAOs gerenciam coletivamente dezenas de bilhões de dólares hoje. Estas são entidades significativas com necessidades complexas.

OpenOrgs

A maioria das DAOs tem planos ambiciosos, mas o gerenciamento astuto pode ser difícil. Para começar, o setor de cryptos é extremamente volátil. À medida que os preços dos ativos sobem e descem, os ativos das DAOs podem mover-se plausivelmente 20% ou mais em um determinado dia. Para se proteger contra essas oscilações, as DAOs precisam diversificar.

Llama, Parcel, Coinshift e Gnosis são projetados para fornecer aos gerentes de tesouraria as ferramentas e os insights necessários para lidar com tal turbulência.

Llama

Llama é uma DAO que se concentra exclusivamente em auxiliar outras DAOs (MetaDAO!) com gerenciamento de tesouraria. A LlamaDAO teve alguns grandes clientes coordenados por meio de subvenções da Gitcoin. Criou painéis, relatórios, diretrizes de gestão de tesouraria, vendas coordenadas e demonstrações financeiras para protocolos como Aave, PoolTogether, Uniswap, Gitcoin e FWB.

Parcel

Parcel é um pacote de tesouraria usado por algumas das maiores DAOs em DeFi, incluindo Aave Grants, Compound Grants e Synthetix. Atualmente em uma versão beta fechada, a Parcel está servindo 8 DAOs e foi usado para emitir $3 milhões em pagamentos em massa para vários programas. À medida que as DAOs escalam, elas precisarão das soluções que a Parcel fornece para gerenciar o fluxo de fundos para conceder beneficiários, pagar contribuidores e implantar a tesouraria com eficiência.

Coinshift

A Coinshift procura resolver um problema semelhante. Até agora, o projeto garantiu o apoio de pesos pesados ​​como Consensys, Messari, Uniswap Grants e Balancer Grants. A empresa arrecadou dinheiro da Sequoia, Ethereal Ventures, Weekend Fund e outros. Em janeiro de 2022, a Coinshift apoiava 247 “cofres” guarando $1,6 bilhão em ativos.

Gnosis

Gnosis Safe é um serviço desenvolvido pela GnosisDAO que fornece uma melhor experiência de usuário para carteiras multisig de DAOs.

O que é uma “multisig”?

É simplesmente uma carteira que requer várias assinaturas para que uma transação seja aprovada. Em vez de uma única pessoa poder ratificar um pagamento, são necessárias várias partes. As DAOs tradicionalmente usam essa estrutura para gerenciar fundos, proteger contra uso indevido e descentralizar o poder.

Ao contrário de algumas soluções alternativas, a Gnosis Safe suporta ativos ERC-20s e ERC-721s, permitindo que DAOs mantenham NFTs em uma carteira multisig. Uma vez que muitos NFTs tiveram uma enorme valorização de preços, fortes ferramentas de tesouraria aqui se tornaram cada vez mais importantes.

Outras organizações notáveis

As DAOs têm a oportunidade de trazer os próximos 100 milhões de usuários, ou mais, para a WEB3. Como a estrutura fundacional para o desenvolvimento e implantação organizacional, as DAOs revelarão novas maneiras de coordenar compromissos pessoais e profissionais, repensando como operamos e tomamos decisões como um coletivo, juntos.

Como as ferramentas e táticas mencionadas acima se juntam, vale a pena destacar alguns projetos populares que as deram vida.

PartyDAO

PartyDAO é uma coleção descentralizada de desenvolvedores, escritores, engenheiros e designers que projetam e constroem ferramentas DAO. Seu primeiro produto, “PartyBid”, permite aos usuários reunir fundos para licitar em NFTs. Os usuários usaram o PartyBid para reunir fundos para licitar Cryptopunks, NFT de Andrew Yang e CrypToadz. Com o lançamento do “Party Splits” no final de setembro, a PartyDAO agora possibilita o fracionamento de NFTs, distribuindo a propriedade.

Mirror

A Mirror, fundada por Denis Navaroz, é uma rede de publicação descentralizada. Mediado pelo token WRITE, os usuários podem pagar WRITE para cunhar seu próprio domínio Mirror, no qual podem publicar artigos e influenciar a aprovação de novos membros por meio de seu poder de voto.

Rapidamente, a Mirror se tornou o lugar de facto para publicar pensamentos na WEB3 e iniciar os esforços da comunidade. Por exemplo, “Crypto, Culture, & Society”, iniciado pelo CTO da Mirror, usou a plataforma para delinear uma DAO de aprendizado de crypto, levantando 25 ETH no processo.

Seed Club

O Seed Club é uma DAO que cria, apoia e investe em comunidades tokenizadas. A comunidade inclui muitos dos principais influenciadores e fundadores no espaço de token social. O Seed Club já trabalhou com DAOs e comunidades proeminentes, incluindo PartyDAO, Forefront, The Generalist e SquiggleDAO.

FWB

Já falamos da FWB, mas a influência dessa DAO vale uma discussão um pouco mais longa. Apenas nesta semana, a grande DAO social anunciou que havia arrecadado $10 milhões de financiamento de a16z, Pace e outros.

A FWB é o lar de uma das maiores coleções de pensadores de crypto e hospeda amplas discussões. Um canal do Discord pode falar sobre música, outro sobre NFTs, enquanto um terceiro fala sobre investimentos. Além de atuar como uma espécie de clube social da WEB3, os membros da FWB estão construindo ativamente produtos para a comunidade, conforme discutido. Está, em suma, emergindo como um verdadeiro lar cultural e gerador de cryptos.

The LAO

Por definição, The LAO não é exatamente uma DAO. Em vez disso, a entidade do fundador Aaron Wright é uma “Organização Autônoma de Responsabilidade Limitada”. Apesar de manter muitas das características de uma DAO, The LAO é uma entidade incorporada em Delaware. Ao fundamentar o produto no mundo jurídico tradicional, The LAO busca agilizar e simplificar questões legais e tributárias espinhosas para seus membros.

Além de sua estrutura diferenciada, The LAO se destaca pela influência que exerce no espaço de DAOs de Investimento. Não só recebeu mais de $65 milhões em contribuições, como também gerou uma onda de subsidiárias. Isso inclui Flamingo (um coletivo de NFT), Red DAO (uma DAO de moda digital), Neon (uma DAO de metaverso), Neptune (uma DAO de liquidez DeFi) e muito mais. Conforme observado na diversidade das DAOs mencionados, as estruturas de responsabilidade limitada podem ser úteis em todo o espectro de projetos relacionados a crypto.

Dado que essas entidades têm sido extremamente ativas em cryptos nos últimos anos, os retornos em papel são quase certamente insanos. O próprio Wright twittou que Flamingo estava a caminho de ter $1 bilhão em AUM:

MetaCartel

O MetaCartel é um grupo descentralizado de construtores que originalmente trabalhou para apoiar o desenvolvimento de um Dapp, mas desde então passou a incubar DAOs. O MetaCartel educa as pessoas sobre DAOs, conduz estudos de caso sobre DAOs do mundo real e auxilia em tudo relacionado ao desenvolvimento e alavancamento de uma nova DAO.

O MetaCartel também estendeu um braço de investimento, chamado MetaCartel Ventures. Por sua vez, investiu em várias outras DAOs.

Moloch

A Moloch DAO foi originalmente fundada para financiar o desenvolvimento da infraestrutura pública do Ethereum relacionada ao ETH 2.0. Desde então, Moloch se expandiu para uma DAO de Subvenção, apoiando projetos como Tornado Cash, Lodestar e Dapp node por meio de suas subvenções. Numerosas sub-guildas foram criadas para avaliar projetos que se candidatam a financiamento.

Além disso, a MolochDAO oferece uma estrutura DAO de código aberto com seus contratos inteligentes v2. Observamos anteriormente que tanto Tribute quanto DAOhaus se beneficiaram do trabalho da Moloch aqui.

Rabbithole

Rabbithole é uma DAO de aprender para ganhar, oferecendo aos consumidores um caminho para aprender sobre criptomoedas, enquanto recebem recompensas.

No processo, a Rabbithole fornece protocolos de criptografia com aquisição de usuários. O número de protocolos e produtos em criptomoedas explodiu no ano passado, tornando difícil para alguns projetos encontrar e reter participantes ativos e qualificados.

Por meio de “missões”, a Rabbithole ajuda os protocolos a adquirir membros da comunidade treinados, que demonstraram sua habilidade no processo. Aave, Opensea, Matcha, Perpetual Protocol e PoolTogether já trabalharam com a Rabbithole.

Com novas DAOs ganhando força todos os dias, espere que essa lista de organizações influentes cresça rapidamente nos próximos meses e anos.

Por que iniciar uma DAO?

Delinear o panorama como fizemos na seção anterior deixa algo bem claro: DAOs são difíceis. Mesmo nos melhores momentos, é extremamente difícil coordenar grandes grupos de pessoas para se orientar em direção a um objetivo comum. As DAOs assumem esse desafio, adicionam camadas (e camadas) de complexidade técnica e social e introduzem uma enorme volatilidade econômica.

O resultado é algo como tentar fundar uma nação em um novo planeta, em que a população cresce 5.000% ao ano e seus recursos naturais variam muito diariamente.

Então, por que alguém iria querer iniciar uma DAO?

Além do prazer de iniciar algo genuinamente novo e ainda revolucionário, existem três razões principais para iniciar uma DAO:

  1. Facilidade de formação de capital
  2. Vantagens compartilhadas
  3. Transparência

Facilidade de formação de capital

Simplificando, as DAOs são uma das maneiras mais fáceis de reunir fundos que podem ser gerenciados por um grupo. É muito mais simples e barato do que montar uma empresa de investimento tradicional, por exemplo.

Como as DAOs são construídas em blockchains públicas, elas se beneficiam da infraestrutura financeira global desde o primeiro dia. É simples criar uma carteira compartilhada controlada por um coletivo. E embora a integração de cryptos ainda deixe muito a desejar, uma vez que você tenha uma carteira e alguns tokens, você poderá transferir esses tokens para qualquer outra conta no mundo, não importa onde eles estejam. Essencialmente, uma DAO permite que você crie um fundo transfronteiriço com funcionalidade colaborativa incorporada.

A formação de capital é importante porque capacita as comunidades a investir em projetos com os quais se importam. Nos últimos meses, DAOs levantaram capital para coletar NFTs, construir software, criar clubes sociais nativos da Internet, produzir música, promover a remoção de carbono e muito mais.

Vantagens compartilhadas

Como descrevemos, a associação à DAO geralmente é aplicada com tokens de crypto. Para muitas DAOs, se você possui um NFT específico ou um número de tokens ER-C20, é considerado um membro “oficial”. Esses tokens podem atender a várias funções relacionadas à governança, acesso, status, captura de valor e assim por diante. Este último ponto – captura de valor – é vital porque permite que as pessoas ganhem a vida contribuindo para uma DAO.

Historicamente, a vantagem financeira em projetos tem se concentrado entre os fundadores, primeiros funcionários e investidores. Os tokens de crypto fornecem uma maneira fluida de recompensar uma variedade de stakeholders, incluindo freelancers, provedores de serviços e até clientes.

Deve-se dizer que existem preocupações válidas em torno da falta de acessibilidade de alguns tokens. À medida que algumas DAOs se tornaram mais populares, seus preços de token aumentaram, tornando a associação de facto cara.

Muitas DAOs estão começando a abordar isso introduzindo programas de subsídios e bolsas que patrocinam membros de alto potencial com recursos financeiros limitados. Com o tempo, esperamos ver mais iniciativas desse tipo.

Transparência

A maioria das DAOs tem uma forte cultura de transparência, como observamos na seção “Filosofia”. Para esse fim, muitas DAOs parecem mais projetos de código aberto do que corporações. Além de apenas construir em público, as DAOs se comunicam, integram, realizam transações e governam em público. Isso contribui para interações e comportamentos significativamente diferentes.

Veja como isso acontece na comunicação, associação e governança.

Comunicação

Conforme descrito, as DAOs tendem a usar o Discord ou o Telegram para comunicação síncrona. Normalmente, existem canais públicos nos quais qualquer pessoa pode entrar para saber mais sobre o projeto.

Também existem canais privados apenas para membros e, embora não transmitam as vibes mais transparentes, ainda são um ótimo registro da história e da tomada de decisões da DAO ao longo do tempo.

Associação

Como a associação às DAOs geralmente é denominada em tokens de crypto, informações relevantes podem ser visualizadas por qualquer pessoa. On chain, você pode ver quantos tokenholders existem, descobrir o valor da associação e verificar quem comprou ou vendeu tokens ao longo do tempo.

Curiosamente, como os tokens de crypto são usados ​​para associação, as DAOs podem recompensar os membros de outras DAOs com base em suas posses de token. Por exemplo, a Rabbithole pode oferecer recompensas a qualquer pessoa com tokens $FWB em sua carteira. Isso pode inaugurar uma “composabilidade de associação” nos próximos anos, permitindo que as comunidades colaborem de maneiras mais pró-sociais.

Governança

A tomada de decisões e a movimentação de dinheiro também são transparentes com as DAOs. Os membros da comunidade podem propor novas iniciativas e votar nas principais decisões. Isso transforma a governança em uma característica social.

Por exemplo, a Nouns DAO arrecadou mais de $50 milhões em leilões de NFT nos últimos três meses, com membros votando para gastar esse capital doando para a caridade, desenvolvendo um aplicativo para iOS e publicando uma série de quadrinhos.

Embora não seja uma panacéia, a estrutura DAO tem benefícios claros.

Como iniciar uma DAO

Se a seção acima despertou seu interesse, você pode estar se perguntando como iniciar uma DAO.

Embora não seja trivial, formar um DAO é fácil quando comparado com a tarefa muito mais difícil de criar uma DAO com valor duradouro. Francamente, o nascimento do espaço significa que ainda não sabemos realmente como é uma DAO persistentemente excepcional.

Se você estava apenas procurando criar uma estrutura DAO por causa disso, a estratégia pode ser algo como o descrito pelo colaborador Jess Sloss no tweet abaixo: 

Venda alguns NFTs, semeie sua comunidade com pessoas legais, abra um Discord e solte alguns tokens. Tarefa concluída.

Mas isso é realmente apenas o começo da tarefa à frente. Para entender como construir uma DAO com valor real, é útil diminuir o zoom e observar as quatro fases envolvidas na maioria dos lançamentos de DAO.

  1. Chamado à aventura
  2. Distribuição de propriedade
  3. Governança
  4. Incentivização e recompensa

Chamada à aventura

Em vez de termos como “missão” ou “visão”, um chamado à aventura descreve com mais precisão o que os participantes estão aceitando com uma DAO.

Certamente, a adesão é sobre o progresso em direção a um objetivo, mas o caminho à frente é especialmente nebuloso e verdadeiramente inexplorado. Aqueles que se juntam estão se inscrevendo para adversidades, falhas potenciais e uma batalha contra as probabilidades dentro de uma estrutura dinâmica e fluida.

Algumas chamadas fantásticas à aventura de DAOs:

  • Krause House, que busca ser a primeira franquia da NBA de propriedade e gerenciada por uma DAO.
  • GitCoin, que está construindo e financiando “bens públicos digitais”.
  • FWB, que está estabelecendo uma forte presença na interseção de cultura e crypto.

Distribuição de propriedade

Depois de capturar a atenção dos verdadeiros crentes, as DAOs precisam distribuir a propriedade.

Esta é uma tarefa significativa e uma decisão de projeto crítica. Algumas DAOs começam com propriedade distribuída por meio de tokens desde o primeiro dia, como foi o caso de NFTx e Sushi. Outros optaram por construir com uma equipe menor e depois distribuir a propriedade assim que o produto ou a comunidade provarem demanda e impulso. Uniswap e Compound são exemplos aqui.

Em última análise, há muitas maneiras pelas quais as DAOs distribuem a propriedade aos contribuidores. Uma abordagem é um “airdrop”, onde os tokens são distribuídos aos membros com base em ações anteriores, como a compra de um NFT. Outra é através de “recompensas”; por exemplo, a Rabbithole fornece tokens quando os usuários aprendem sobre projetos de crypto em sua plataforma. Outros abrem a compra de tokens por meio de exchanges descentralizadas, como a Uniswap.

Quando bem feita, a distribuição de propriedade coloca os tokens nas mãos de indivíduos e organizações com valores alinhados que contribuirão e ajudarão a DAO daqui para frente.

Alguns exemplos de como diferentes DAOs distribuíram a propriedade:

  • A Squiggle DAO exigia que você possuísse um Squiggle NFT para ingressar no Discord. Mais tarde, o token $SQUIG foi lançado no ar.
  • A SuperRare distribuiu tokens $RARE para artistas e colecionadores que usaram sua plataforma de NFT.
  • A FWB exige que os membros possuam 75 tokens $FWB. Eles podem ser comprados na Uniswap ou recebidos por meio de uma concessão.

Governança

Decidir como tomar decisões em grupo é uma fase importante do processo de inicialização da DAO. Os grupos que lidam com essa tomada de decisão são frequentemente chamados de “Estruturas de Governança”. Um segmento significativo da WEB3 está avidamente focado neste assunto e está constantemente examinando novas metodologias e abordagens. Até o fundador do Ethereum, Vitalik Buterin, recentemente opinou sobre o assunto.

Em sua forma mais simples, governança é um processo de construção de legitimidade nas decisões tomadas pelo DAO ou pelas equipes que operam dentro da DAO.

Existem muitos tipos de estruturas de governança, mas o método mais comum de tomada de decisão é chamado de “Token Weighted Voting (Votação Ponderada por Token)”.

Nesse sistema, um token representa um voto. Os membros apresentam propostas e ferramentas como o Snapshot permitem que os usuários indiquem sua preferência sobre o assunto em questão. O resultado desses votos são executados automaticamente ou confirmados pelos signatários do multisig.

Algumas estruturas de governança acabam se parecendo mais com democracias diretas com membros votando na maioria das propostas, enquanto outras agem como democracias representativas nas quais uma equipe central com mandato vota em nome do grupo. As estruturas de governança geralmente evoluem com o tempo.

A versão DAO de “como um projeto de lei se torna uma lei” pode ser algo assim:

  1. Discussão e modelagem. Um membro apresenta uma ideia no Discord, a ideia é moldada por meio de conversas e o consenso inicial é construído.
  2. Formalização da proposta. Uma proposta pode ser postada no Discourse, levando a uma conversa e comentários mais formais. No processo, a proposta pode ser melhorada.
  3. Votação da proposta. Usando o Snapshot, a DAO permite que os holders de token votem em uma proposta dentro de um determinado período de tempo.
  4. Execução da proposta. Uma vez encerrada a votação, os signatários multisig executam a transação ou ação.

O objetivo da governança é tomar boas decisões e impulsionar o projeto para frente. A boa governança garante que as vozes sejam ouvidas, que a legitimidade seja administrada e que o impulso seja construído.

Incentivização e recompensa

DAOs coordenam esforços em direção a um objetivo; incentivos impulsionam esse esforço. As primeiras recompensas que as DAOs oferecem geralmente são tokens de governança nativos, que dão propriedade aos primeiros contribuidores.

Embora esses tokens possam não ter valor imediato no mercado, eles representam o valor relativo que os indivíduos estão contribuindo para uma nova organização e a propriedade compartilhada do valor coletivo da DAO.

Nem todas as recompensas são fiscais, é claro. Os tipos de incentivos DAO incluem:

  • Recompensas de tokens. Esses são os tipos de tokens mencionados acima, dando propriedade e influência aos holders.
  • Capital social. Membros valiosos podem ser recompensados ​​com títulos formais no Discord ou através de NFTs. Ser um “moderador” ou “líder” pode conceder status social dentro dos limites da DAO.
  • Tokens de pagamento de contas. Os contribuidores podem ser recompensados ​​com moedas de maior circulação, como USDC ou ETH. Isso funciona de maneira mais semelhante a um salário, pois há maior liquidez e as participações podem ser facilmente trocadas por moedas fiduciárias locais.

Embora essas recompensas possam ser poderosas, para alcançar uma escala real, as DAOs precisarão encontrar maneiras de pagar aos colaboradores o suficiente para que possam pagar suas contas.

Uma maneira de fazer isso é criar um mercado para o token de governança da DAO. Ferramentas como Uniswap e Sushi tornam isso possível, mas podem ser complicadas de usar. Além disso, apenas organizações extremamente bem estabelecidas provavelmente verão um volume comercial significativo aqui.

Em vez disso, a maioria dos DAOs precisará obter USDC ou ETH em seu tesouro como forma de pagar pelo esforço dos contribuidores. As DAOs podem fazer isso trocando tokens de governança quando possível ou gerando receita on-chain. Por exemplo, uma DAO pode optar por vender NFTs por ETH, que podem ser adicionados a um tesouro e depois pagos aos contribuidores de acordo com sua contribuição. As DAOs também podem concordar em realizar certos serviços – pense no desenvolvimento de blockchain – para organizações em troca de remuneração.

A questão de como estruturar as recompensas é algo em que a maioria das DAOs gasta um tempo significativo. As DAOs são tipicamente menos bem definidas nesta área. Não há chefe, plano de remuneração estruturado ou mesmo conjunto claro de funções. Nenhum departamento central de RH pode tomar decisões sobre salários.

Na ausência desse controle, as DAOs recompensam os contribuidores por meio de diferentes mecanismos, alguns dos quais já discutimos:

  • Bounties recompensam os contribuidores por concluir uma tarefa bem definida com um número definido de tokens.
  • Subvenções recompensam os contribuidores por realizarem um desafio maior e menos bem definido com um número definido de tokens.
  • Coordinape Circles recompensam um grupo de trabalho por seus esforços com tokens financiados por outros colaboradores.
  • Salários podem ser dados aos membros da equipe principal em uma programação regular para recompensar seus esforços. Isso geralmente é pago como uma mistura de USDC, ETH e tokens nativos.

Modelos, processos e ferramentas DAO estão sendo construídos dia a dia, muitas vezes pelas próprias comunidades que precisam deles. Ainda não existe um manual real, embora Sushi e Index Coop tenham estabelecido abordagens estruturadas para contratação e remuneração.

Em última análise, como evidenciado acima, em muitos casos, atualmente, existem apenas uma ou duas soluções técnicas comumente usadas para cada fase das necessidades da DAO – muito longe da abundância de ferramentas SaaS que competem para atender a todos os nichos.

Embora participar de um modelo emergente como uma DAO tenha seus desafios, isso traz uma tremenda oportunidade de moldar a próxima Internet.

Trabalhando para uma DAO

Se você não está pronto para iniciar uma DAO, os interessados ​​no espaço podem ganhar dinheiro trabalhando para uma. Para entender como fazer isso, vamos percorrer um processo de contratação hipotético e descompactar as diferentes etapas, incluindo:

  1. Escolhendo sua disciplina
  2. Encontrando o papel certo
  3. Integração
  4. Colaborando
  5. Sendo pago

Escolhendo sua disciplina

Quando se trata de trabalhar para uma DAO, pode ser difícil saber por onde começar. Quais funções existem nas DAOs? Que talento é realmente necessário?

A boa notícia é que é mais direto do que você imagina. Embora certamente haja muita variação dependendo do foco da própria DAO, existem algumas funções comuns.

  • Gestores de comunidade. As DAOs são, obviamente, comunidades. Isso torna esse papel especialmente importante – moderadores e gerentes são a cola que mantém o projeto unido e o ajuda a avançar.
  • Recrutadores e promotores. Especialmente nos primeiros dias, as DAOs precisam evangelizar, atraindo grandes pessoas para o projeto. Os recrutadores são valiosos aqui.
  • Escribas. Enormes quantidades de informações são criadas e divulgadas via DAOs. Os escritores podem ser influentes em registrar essas informações com clareza e contribuir para o marketing e a tradição.
  • Artistas. Os NFTs surgiram como uma maneira popular das DAOs obterem receita. Habilidades e sensibilidades artísticas podem ser altamente procuradas como resultado.
  • Engenheiros. Algumas DAOs começaram a construir suas próprias ferramentas ou outros produtos no espaço WEB3. Se você é um programador ou deseja se tornar um, as DAOs oferecem uma oportunidade de aprender.
  • Tesoureiros. Como mencionamos, as DAOs gerenciam grandes AUMs. Eles precisam de operadores fiscalmente perspicazes para ajudar a gerenciar e implantar os gastos com eficiência.

Isso está longe de ser exaustivo, é claro. Designers de jogos, profissionais de marketing digital e todo tipo de outras funções são úteis para DAOs.

Encontrando o papel certo

Como você encontra vagas no mundo DAO?

A verdade é que não há um processo formal de descoberta com a maioria das oportunidades surgindo por acaso no Twitter, em bate-papos de Discord fechados ou em podcasts de crypto. Embora essa opacidade dificulte a invasão, a falta de um “job board” pode parecer um recurso e não um bug. As pessoas encontram oportunidades com as quais se importam ao se envolver com comunidades em que confiam, primeiro.

Integração

Depois de encontrar uma DAO que você deseja participar, então o que?

A experiência de integração tende a variar drasticamente com base no DAO, embora as organizações de alta qualidade geralmente se destaquem nessa frente. Afinal, os novos membros são mais capazes de contribuir quando têm o contexto e o suporte certos.

Para esse fim, algumas DAOs hospedam chamadas estruturadas de integração de novos membros, semelhantes a casas abertas na universidade. Index Coop, um gerenciador de ativos descentralizado que cria produtos de índice de crypto, hospeda novas sessões semanais de novos participantes e fornece um guia detalhado chamado “Cooper Owl Quest” sobre como começar.

Manual do Index Coop

DAOs que se concentram na criatividade gerada pelo usuário, como a NounsDAO, adotam uma abordagem diferente. A Nouns criou um playground e abriu ferramentas para que os membros possam começar a se envolver com o trabalho da comunidade e, posteriormente, serem financiados pelo tesouro da comunidade.

Colaborando

Depois de entrar, é hora de começar a agregar valor™.

Para DAOs, muito disso acontece por meio da colaboração. Em vez de uma equipe de gerenciamento centralizada que define fluxos de trabalho, o poder de tomada de decisão da DAO é distribuído. Todos têm o poder de expressar sua visão para o futuro e a equipe de liderança geralmente surge daqueles que podem identificar as necessidades da comunidade e trabalhar para abordá-las.

Essa abordagem de baixo para cima é visível em todo o panorama DAO. Por exemplo, uma equipe de seis colaboradores dedicados da Sushi solicitou uma subvenção para ajudar na solução de problemas do usuário e criar um portal de atendimento ao cliente multilíngue. Essa iniciativa é clássica nas DAOs – os colaboradores identificaram um ponto problemático no ecossistema da Sushi, propuseram uma solução proativamente, solicitaram e receberam recursos e conseguiram construir.

Onde é feito este trabalho?

Como mencionamos, Discord e Discourse são lugares populares para conversas. Grande parte da colaboração restante ocorre em lugares como Google Docs, Notion, Airtable, Figma e Github. Embora plataformas poderosas, nenhuma foi construída para as equipes excepcionalmente fluidas da WEB3.

Por um lado, essas plataformas armazenam informações do usuário em bancos de dados centralizados e o acesso geralmente é atribuído com base na função de um indivíduo dentro de uma organização. As DAOs operam de maneira diferente, com funções e colaboradores em mudança que podem querer permanecer com pseudônimos.

Devemos esperar que uma pilha de produtividade nativa da WEB3 surja nos próximos anos. Isso pode conceder permissões com base em acervos de tokens e contribuições anteriores em uma comunidade.

Sendo pago

Cobrimos principalmente os diferentes tipos de recompensas que os contribuidores da DAO recebem em troca de seus esforços.

Um assunto adicional digno de nota é que as DAOs às vezes vinculam a compensação a determinados KPIs. O projeto UMA criou uma estrutura que paga mais tokens sintéticos se uma DAO atingir alvos predeterminados antes de uma determinada data de expiração.

Embora isso possa ser motivador, existe o risco de uma comunidade indexar em excesso as métricas erradas. Além disso, os maus agentes podem encontrar maneiras de manipular o sistema para maximizar a contribuição para determinados KPIs, mas evitar um trabalho significativo. Sempre que um algoritmo ou programa controla o acesso à grinalda, é inevitável que alguém tente manipulá-lo.

Perguntas legais

No melhor sentido, blockchains e sistemas baseados em blockchain, como DAOs, são projetados para operar fora do alcance da lei. Graças à tecnologia implantada, essas entidades aderem a regras autônomas encapsuladas como código baseado em blockchain. No entanto, a tecnologia é regulável.

Hoje, as DAOs operam com premissas diferentes de muitas entidades legais tradicionais e outras associações empresariais. As DAOs são fluidas por design e não são administradas por conselhos ou gerentes, mas visam ser governadas por processos ou algoritmos democráticos ou altamente participativos. Ao contrário das organizações tradicionais que estão enraizadas em uma jurisdição, as DAOs se estendem por todo o mundo, reunindo milhares de membros, independentemente de onde morem; o único requisito é uma conexão com a internet. DAOs muitas vezes tentam evitar acordos escritos ou outras formas de formalidades legais, com os membros principalmente concordando em cumprir e governar seus negócios usando software e a regra do código.

Embora não definido na maioria das jurisdições, Wyoming (o criador original da empresa de responsabilidade limitada) aprovou recentemente uma lei que concede o status de empresa legal às DAOs que operam em uma blockchain, desde que sejam organizados como uma empresa de responsabilidade limitada de Wyoming. Esta visão bastante voltada para o futuro do “Estado de Igualdade” oferece proteção de responsabilidade para os membros da DAO. Sem tais salvaguardas, uma DAO pode ser considerada uma parceria geral, abrindo os membros à responsabilidade pessoal caso surja um problema. Embora Wyoming seja o pioneiro, estamos vendo muitas outras jurisdições pensarem profundamente sobre o futuro das DAOs. Exemplos de DAOs que alavancaram estruturas de estado de responsabilidade limitada incluem The LAO (um DAO baseado em empreitadas), mencionada anteriormente, e algumas de suas estruturas associadas.

A Tribute Labs (anteriormente OpenLaw) vem explorando estruturas alternativas, incluindo uma “Unincorporated Not for Profit (Não-incorporada Sem Fins Lucrativos)” ou UNA. Isso pode ser criado quando um grupo de indivíduos deseja formar uma associação sem precisar formalizá-la por meio de registro. A estrutura da UNA foi utilizada na construção do MUSE0, um museu digital, onde colecionadores e artistas doam NFTs e a comunidade decide se deve entrar na coleção permanente.

Coleção do Muse0

Embora nenhuma papelada seja necessária para iniciar uma UNA, se o objetivo da associação não incorporada incluir a intenção de obter lucro, uma parceria geral foi criada. Efetivamente, as UNAs são ótimas para grupos que desejam realizar ações que não são de natureza lucrativa e exigem a criação de princípios orientadores.

As DAOs estão crescendo em importância e há indicações precoces de que a governança baseada em blockchain terá um impacto significativo na forma como as empresas são governadas — tanto pela digitalização dos mecanismos tradicionais de governança quanto pela oferta de formas fundamentalmente novas de organizar empresas de negócios.

Legalmente, o caminho a seguir é esclarecedor e os proponentes devem se sentir cautelosamente otimistas sobre o caminho a seguir.

Contra DAOs

Embora existam muitas razões para ser otimista sobre as DAOs, este é um espaço em sua infância. Alcançar a implantação e a adoção em grande escala levará tempo e esforço.

Mesmo com isso em mente, as DAOs não são perfeitas. Embora a corporação moderna tenha seus problemas e as DAOs sejam uma resposta a suas falhas, não devemos fingir que a estrutura da empresa não tem nada certo. Fazer isso seria ignorar as lições aprendidas ao longo de centenas de anos.

Empresas bem administradas, por exemplo, assumem duas responsabilidades críticas a bordo, como parte de suas operações.

  1. Responsabilidade fiduciária. Propriedade corporativa e gestão raramente se sobrepõem perfeitamente. Como resultado, os responsáveis ​​pelas decisões de uma empresa (pense em executivos ou no conselho de administração) devem agir no melhor interesse dos acionistas (os verdadeiros proprietários) e não no seu próprio interesse.
  2. Proteções de minorias. Diferentes grupos de acionistas geralmente têm diferentes participações em uma empresa. Corporações justas devem operar de forma que a empresa beneficie todos os acionistas igualmente, em relação às suas participações. Um bloco de acionistas majoritários não pode obrigar outros acionistas a cumprir exigências que premiam desproporcionalmente a maioria, em detrimento da minoria.

Essas são operações básicas de negócios sensatos, e aqueles que não as cumprem enfrentam a ameaça crível de ação legal. No entanto, é difícil recriar ações semelhantes em DAOs, pelo menos sem fazer sacrifícios.

Por um lado, não há tribunal tradicional para recorrer no caso de uma violação. Além disso, como uma DAO é, em sua essência, um programa de computador confiável executado como um contrato inteligente, ela não pode determinar se as responsabilidades fiduciárias foram cumpridas por uma determinada proposta ou se os acionistas minoritários foram suficientemente protegidos. Tal julgamento é fundamentalmente subjetivo e não pode ser bem interpretado pelo software.

Isso pode não importar na maioria das vezes, mas se torna de grande importância se o poder de voto da DAOs cair nas mãos erradas. Por exemplo, se um agente mal-intencionado (ou grupo malicioso) conseguiu com sucesso 51% do peso dos votos (ou ultrapassar qualquer limite definido), é possível que ele proponha e ratifique mudanças na organização que o recompensem desproporcionalmente, às custas do resto da comunidade.

Uma DAO pode estar mal equipada para impedir isso, principalmente em nível de software. Para o código da DAO, uma proposta legítima e que ameaça a existência da organização pode parecer exatamente a mesma. Como os humanos dentro da comunidade seriam incapazes de se proteger na situação acima, resolver o problema requer a entrada de uma fonte externa confiável capaz de fazer esse tipo de avaliação.

A pseudonimidade complica ainda mais as coisas. Muitos contribuem para DAOs usando “identidades descartáveis”, o que significa que há pouco risco de reputação para maus agentes. Em um ambiente completamente adverso no qual uma DAO fosse aberta a qualquer pessoa, haveria pouco desincentivo para violar as propriedades mencionadas acima – pelo menos sem quaisquer incentivos externos. Dada a chance, alguns podem considerar que vale a pena vazar uma DAO de seus recursos, especialmente porque elas podem operar sem atribuição.

Por que não vimos mais ataques como esse?

Em parte, isso pode ser devido aos outros incentivos em jogo. Em muitas DAOs, o fornecimento de tokens está concentrado nas mãos de alguns fundadores ou investidores respeitáveis. Esses indivíduos geralmente pensam a longo prazo e revelaram suas identidades, o que significa que há risco de reputação em jogo. Qualquer ataque provavelmente seria abatido por essas baleias, mesmo que a decisão econômica racional para eles fosse apoiá-lo. Essa probabilidade impede que tais manobras sejam tentadas.

Aqueles encarregados de gerenciar o multisig de uma DAO também podem agir contra o interesse da comunidade com relativa facilidade em muitos casos. No entanto, o capital social acumulado com o mundo das normas DAO e WEB3 dissuade esse tipo de comportamento, embora nada os impeça de agir de forma egoísta.

Outras abordagens foram propostas para lidar com esses riscos, incluindo rage quitting e o veto.

Rage quitting

A Moloch DAO possui um mecanismo de “rage quit” que permite que os holders de tokens saiam de uma DAO com uma participação proporcional de seus ativos. Criticamente, os rage quitters saem com a parte que tinham antes de uma proposta ser oficialmente aprovada, exceto se votarem a favor. Essencialmente, se você não gostar da decisão que uma DAO acabou de tomar, você pode fazer as malas e levar seus tokens com você.

Para um invasor em potencial, a existência desse mecanismo de saída é um grande impedimento. Se um colaborador acredita que um ataque está em andamento, ele pode sair com seus fundos, em vez de ser forçado a participar. Mesmo que os pretensos ladrões acumulem uma maioria de 51%, eles podem não conseguir acessar nenhum fundo.

A desvantagem do mecanismo de rage quit é que é uma abordagem bastante nuclear. Além disso, não funciona particularmente bem para DAOs que possuem ativos não fungíveis, como NFTs. Se você, eu e 98 de nossos amigos colocarmos 1 ETH para comprar alguns Bored Apes e você decidir que gostaria de dar rage quit, como permitimos que você saia com sua parcela fracionária de participações? Não há resposta fácil.

Em última análise, qualquer DAO grande que use esse método o une a um processo abrangente de escrutínio para membros. Isso garante que o capital social está em jogo, evitando que propostas desonestas aconteçam em primeiro lugar.

Veto

Em vez de rage quitting, algumas DAOs protegem contra ataques por meio do veto. Nesse caso, uma entidade ou mecanismo confiável intervém para garantir a legitimidade das propostas e encerrar atos maliciosos.

Por exemplo, os fundadores da Nouns DAO podem vetar propostas maliciosas, embora planejem “provavelmente revogar” isso ao longo do tempo. Mais uma vez, a abordagem aqui se baseia no capital social e não no código.

Alguns protocolos tentaram enfrentar o problema de frente, fornecendo informações subjetivas. O Aragon Court, por exemplo, ajuda a lidar com esse tipo de disputa graças a uma rede de “guardiões”. Quando surge um problema, o julgamento pode ser adiado para este tribunal independente, que é recompensado por seus esforços imparciais. O “protocolo de justiça” da Kleros é uma solução semelhante.

Além da ameaça de ataque, as DAOs ainda precisam resolver várias questões em aberto sobre a eficácia de sua estrutura. É provável que uma abordagem descentralizada produza os melhores resultados?

As startups de alto impacto convergiram para um manual operacional bastante padrão, no qual aqueles no topo da hierarquia orientam a direção de uma organização, a PI é proprietária, a contratação é estruturada e a confidencialidade é fundamental. Essa abordagem produziu alguns resultados bastante excepcionais nas últimas décadas.

As DAOs, claro, agem de forma diferente, privilegiando uma estrutura plana com total transparência. Embora esse modelo tenha se mostrado muito eficaz em contextos em que a descentralização é vital (Bitcoin e Ethereum podem ser considerados DAOs), não está claro se é ideal para outros tipos de organizações.

Será incrivelmente interessante ver as DAOs competirem com equipes centralizadas em mercados específicos e observar onde estão os pontos fortes e fracos relativos do modelo.

Fronteira

Talvez o mais empolgante no mundo das DAOs seja que mal arranhamos a superfície de seu potencial. Embora as novas tecnologias inevitavelmente nos surpreendam em relação a como, onde e por que elas são implantadas, vale a pena tentar imaginar o futuro que elas podem pressagiar.

Sobre esse assunto, abordaremos a importância das DAOs para o nosso futuro, mudando as concepções de propriedade e criatividade e uma potencial nova era de organização.

A importância das DAOs

A crescente desigualdade de riqueza é um dos maiores ventos contrários que enfrentamos como sociedade, e as consequências do COVID-19 apenas exacerbaram esse problema. Esta não é apenas uma questão moral, é econômica também. A dura verdade é que trabalho e salários não são a solução ideal para construir riqueza sustentável; propriedade de ativos e acesso ao capital é. Historicamente, aqueles que tinham capital se beneficiavam desproporcionalmente em relação aos que forneciam trabalho, geralmente em troca de um salário fixo. Novamente, se você quer ficar rico e obter liberdade financeira, você precisa ser proprietário de ativos – capital > trabalho.

WEB3 é muitas coisas para muitas pessoas, mas um de seus pilares centrais é esse conceito de propriedade, como já discutimos. Ao espalhar esse capital mais amplamente, o espaço tem o potencial de arrastar milhões de pessoas para fora do trabalho assalariado tradicional e para a propriedade.

O pano de fundo da desvalorização da moeda apenas fortalece a sensação de que a crypto está se tornando uma classe de ativos amplamente investível no exato momento em que o mundo precisa dela.

DAOs são uma parte crítica desse movimento. Eles não apenas atuam como oportunidades para a criação de riqueza em si mesmos, mas também desempenham papéis de liderança na educação e na qualificação daqueles que entram no ecossistema.

Criatividade

Como muitos de nós sabemos, há um medo crescente entre os cidadãos de todas as classes de que os avanços em automação, IA e robótica substituirão muitos dos empregos de hoje, e esse medo não é totalmente equivocado. No entanto, a explosão da WEB3 e DAOs associadas pode gerar centenas de novos setores, milhares de novas organizações e milhões de novos empregos que não existiam antes.

A criatividade pode ser particularmente afetada. À medida que o trabalho mecânico é automatizado, os talentos de maior acuidade podem se destacar. Um mundo cada vez mais mecanizado também pode incentivar a conexão, mesmo através do reino digital.

As DAOs são uma perfeita incorporação de ambas as tendências. As DAOs de Criadores darão aos artistas a capacidade de se envolver com seus fãs e, em muitos casos, criar riqueza geracional. Muito disso, por sua vez, será compartilhado com aqueles que ajudam a gerá-la.

Micah Johnson é um exemplo dessa possibilidade ganhando vida. Johnson, ex-jogador da MLB e artista ativo, é o criador de um personagem baseado em NFT chamado Aku. Não só Aku se tornou um avatar popular, como o trabalho de Johnson foi patrocinado pela Visa. Não é difícil imaginar como o “Akuverse” pode se expandir nos próximos anos, gerando uma verdadeira DAO com uma comunidade engajada.

Mundo Aku

Novas estruturas organizacionais

A partir de agora, todos os ativos tradicionais são efetivamente construções legais com os direitos dos holders de ativos impostos pelos tribunais.

À medida que mais e mais ativos se movem on-chain, contratos inteligentes e incentivos programáticos substituirão o sistema legal como forma de garantir a propriedade. Da mesma forma, as DAOs substituirão as entidades legais como o principal método de coordenação em torno desses ativos. Em vez de formar empresas, os indivíduos criarão DAOs para gerenciar ativos on-chain.

Como mencionamos, as DAOs são uma mudança de paradigma em relação às empresas tradicionais, pois podem ser globais desde o início, sem precisar de permissão para participar ou contribuir e minimizar atritos como identidade, contratos de trabalho, entrevistas de emprego e até mesmo tempo real compensação. Embora existam muitos problemas nesse processo hoje, há todos os motivos para acreditar que eles serão resolvidos com o tempo.

Simplificando, as cryptos oferecem proteções mais fortes para os direitos de propriedade e um sistema financeiro global “sem permissão” que qualquer pessoa pode aproveitar para converter ativos em capital de uma maneira muito mais eficiente do que as alternativas arcaicas de hoje.

Se as DAOs cumprirão sua promessa extraordinária ainda está para ser visto. A última década foi mais estranha, mais sombria e mais milagrosa do que poderíamos imaginar. A próxima pode trazer mudanças ainda maiores.

No entanto, é razoável acreditar em mudanças poderosas e positivas. Se você oferecer acesso gratuito e aberto a um novo setor extremamente visionário, alguns encontrarão uma maneira de melhorar os meios de subsistência de muitos. E tanto os poucos quanto os muitos podem se encontrar trabalhando não para uma empresa, mas para uma DAO – um canto fluido e em constante mudança do espaço digital, absorvendo a internet.

***

Lista de leitura DAO

Muitos pensadores excepcionais já escreveram sobre DAOs antes – de forma indireta ou direta. Aqui estão alguns dos nossos recursos favoritos:

Squad Wealth by Other Internet

A Prehistory of DAOs by Kei Kreutler

DAO Landscape by Cooper Turley

The DAO of DAOs by Packy McCormick

State of the DAOs by Bankless

Organization Legos by Nichanan Kesonpat

Sushi and the Founding Murder by Mario Gabriele 

The New Coordination Frontier by Gitcoin x Bankless

Come for the creator, stay for the economy by Patrick Rivera

A beginner’s guide to DAOs by Linda Xie

Protocols and Creator DAOs by Darkstar

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